domingo, 25 de março de 2012
Você não irá decidir por ele(a)
E às vezes, quase por toda vida, temos que nos submeter a ouvir os outros. Muitas vezes, gostaria que tivesse um botão offline nos ouvidos para não precisar ouvir ofensas, mas também serviria se ouvesse um para calar a boca de alguns. Jogam na cara, gritam, descontrolam-se e para quê? Só por não admitirem ter que suportar sozinhos, precisam descontar em alguém o peso de não aguentarem o mundo, e eles. Quando tens 45 anos, já não se muda muita coisa, hábitos viram doenças. Há escolhas e alguns optam por carregar o fardo pela vida inteira, outros mudam, esses vivem em uma tremenda bagunça, organizando e bagunçando, mas não se comportam como carrancudos ou como crianças mimadas, como quiser nomear. Reclamar, esperniar para quê? Suporte, tape os ouvidos, conte até 1000, soque o travesseiro, mas não tente fazer a parte dos outros, não o cabe. São poucos os que admitem que precisam melhorar e raros aqueles que tomam alguma atitude.
domingo, 11 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Dinheiro sujo nas mãos de pessoas porcas.
Uma vez me disseram que é preciso correr atrás dos seus sonhos, mas outras vezes vi gente apenas dando dois passos, com um cafézinho na mão e uma nota de dinheiro na outra, até o seu superior. Dava no mesmo, se eu fosse um tipinho de gente, desse aí que tem em todos os lugares e de grande número, esse de gente mesquinha.
Perdendo para se machucar.
Laura tinha de tudo, tudo que os demais não possuíam. Carro importado, triplex na Rua Augusta, casa na praia, closet, salão todos os dias, festas todos os finais de semana, jatinho particular e todas as coisas que poucos tem e muitos não. Além disso, era amada por todos ao seu redor. O marido havia deixado os negócios da família nas mãos dos funcionários para viajar. Filhos ainda eram apenas planos, primeiro viria uma lua de mel prolongada com férias da socialite. Depois do passaporte, visto, viagem de 22h para Austrália dentro de um avião, a sós estavam, naquele hotel cinco estrelas. Não tinha o que por e nem tirar, era perfeito, comida deliciosa, funcionários receptivos, piscina, massagistas... Mas o que eles mais gostaram foi da cama que nem fazia barulho naqueles momentos mais íntimos. Amaram, na verdade, já que não arredavam o pé para fora. Fazia quinze anos que eram casados e vinte que se conheciam. Laura vivia intensamente, muito agitada para uma mulher de 35 anos, engraçada, inteligente, solidária... Laura sempre teve muita curiosidade nos campos sobrenaturais, vinha querendo saber mais sobre os mistérios do universo. Fazia yoga e balé, ajudava tribos indígenas e orfanatos, lia muito e sorria mais ainda, pois o seu desejo maior era deixar aos seus amigos e familiares um pouco mais de amor em vez de dinheiro. A coitadinha chorava só de pensar em magoar o marido. Sempre buscava dar o seu melhor e trabalhar no seu pior. Ela própria fez o jantar em todos os dias que ali ficaram, sem contar que ficava com ele nos seus braços ouvindo ele reclamar do trabalho até adormecer. Minutos antes de partirem, Laura pega o celular do esposo para ler as mensagens que eles trocavam desde o início do namoro em que ali estavam guardadas, quando ela é surpreendida por mensagens de outra mulher o chamando de amor e deixando explícita a traição. Não deu tempo de ver os outros torpedos, Laura começa a ter uma dor de cabeça fortíssima e lá estavam os médicos presenciando mais um caso de Derrame. Quanto ao homem que tinha uma aliança igual a da vítima, deve estar em algum lugar do mundo pagando pelo o que fez. Provavelmente, com a sua única companhia: a solidão.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Pensando alto.
Às vezes, sinto vontade de ir embora para longe, não levar nenhuma bagagem, nenhuma roupa, nenhum objeto, nenhum ressentimento, nenhuma lembrança, ir limpa para recomeçar. Poderia ser na Austrália, Hirlanda, Suécia ou em qualquer outro lugar. Quem sabe um lugar em que o clima me faça querer correr para uma lareira, tomar um chá, ler e fazer essas coisas que dizem caber mais para gente velha. Mas não sei porque associam isso como se fosse chato. Gosto tanto de vovós e vovôs, são calmos, atenciosos, interessantes, vividos e outras mil coisas que fazem com que uma conversa com eles pareça uma viagem no tempo. Mas voltando para o que eu estava dizendo sobre deixar tudo aqui e cair fora... Até desejo fazer laços novos, amigos e quem sabe até um namorado. Também desejo um emprego novo, um apê novo, um café na esquina de casa, uma bicicleta, apesar que sempre acabo achando que do meu travesseiro vou sentir falta. Mas como disse só penso essas coisas de vez em quando, pois volto para realidade e vejo que aqui não tenho bem isso, mas tenho meu travesseiro gelado, meu emprego que sustenta essa kitnet, o chá de cidreira que roubo do jardim do prédio e tenho uma estação perto daqui que me possibilita encontrar alguns amigos e ir num café, conversar, rir e tirar um pouco dessas besteiras da cabeça.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
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